sábado, 23 de junho de 2007

Segurança no trânsito (Parte 2)



Atento aos três perigos principais pode-se agora mudar o foco para as ruas da cidade. No caso, a cidade de Curitiba!

Eu sempre ouço muitos ciclistas dizerem que os motoristas de Curitiba não estão acostumados com bicicletas nas ruas e muitos não ciclistas dizendo que não começam a pedalar porque os motoristas não respeitam as bicicletas.

Antes de reclamações como estas, pense que existem duas maneiras de melhorar a relação ciclista/motorista:

1º Como você ciclista espera que os motoristas te respeitem, se você não respeita o código de trânsito?

- Não ande na contra-mão. Já parou pra pensar que somar velocidades em um acidente pode piorar bastante as coisas?

- Use sempre capacete

- Se for pedalar a noite use sinalização apropriada, o que incluí: ROUPAS CLARAS, luz BRANCA/AMARELA na frente e VERMELHA atrás.

- SEMPRE pare nos cruzamentos. Não importa se os semáforos estão verdes ou vermelhos ou se a preferência é sua ou não. Lembre-se que certo ou errado quem vai levar a pior em um acidente é o ciclista.

- Sinalize sua direção com os braços. Você não fica puto quando um motorista vira ou muda de faixa sem dar pisca? Não faça o mesmo e sinalize com seus braços! Vai virar à direita? Estique seu braço direito. Vai virar à esquerda? Estique seu braço esquerdo! (De acordo com o código de trânsito, a instrução é utilizar o braço esquerdo por cima da cabeça ao converter à direita. Isso faz sentido, partindo do ponto de vista de que a maioria da população é destra e que você deve sempre manter sua mão com maior firmeza no guidão, mas do ponto de vista visual, nada melhor que braços bem esticados apontando a direção que você vai).

- Jamais pedale utilizando fones de ouvido. Na situação de risco que você se encontra, não vale a pena contar com um sentido a menos na hora de identificar um caminhão tocando em cima de você.

2º O melhor jeito de fazer os motoristas se acostumarem com os ciclistas, é termos mais ciclistas nas ruas!

- O mantra de que “os carros não respeitam os ciclistas” é repetido também por motociclistas e por pedestres aqui em Curitiba e na maioria das cidades do Brasil. Eu não gosto de fazer comparações entre nosso país e países imperiais devido, principalmente, à diferença que 500 anos de história acarretam, mas farei uma comparação válida que não é diretamente ligada a isso: na Itália, a grande maioria dos motoristas, antes de o serem, pedalavam suas bicicletas e logo passavam para as motonetas e ciclomotores ao completarem a idade permitida para pilotar. Isto quer dizer que a maioria dos motoristas antes de estarem sentados atrás da direção (engordando e contribuindo com a destruição do planeta) já estiveram nas ruas em suas bicicletas ou motonetas, o que acaba fazendo com que este tipo de motorista consiga “enxergar” com os olhos dos ciclistas, etc.

No fim é tudo uma questão de ponto de vista. Os ciclistas daqui ficam putos quando os carros não os vêm e esquecem que a maioria dos motoristas não tem o cérebro programado para “ver” um ciclista, quem dirá enxergar o movimento com os “olhos” de um ciclista. (Sem falar que a grande maioria dos ciclistas sequer segue as regras básicas e andam na contramão, não utilizam luzes à noite, etc).

Sabendo disso, a melhor solução seria conscientizar os motoristas e fazê-los “enxergar” com olhos de ciclista. Ok, isso vai levar algumas centenas de anos...Sendo assim, o melhor para a sua integridade física é lembrar-se da frase “certo ou errado, quem leva a pior é sempre o mais fraco”. Existe uma guerra nas ruas e o melhor jeito de se defender é pedalar levando estas regras em alta consideração.

3º Evite as ruas mais movimentadas e procure utilizar a rede de ciclovias e as canaletas do bi-articulado observando os seguintes detalhes:

-
- Ao pedalar pela ciclovia lembre-se da regra básica de manter-se à direita.


- Ao pedalar em ciclovias com circulação compartilhada preze pela segurança dos pedestres e em casos de ciclovias lado-a-lado de calçadas, procure instruir e incentivar os pedestres a caminhar pela calçada, deixando a ciclovia para as bicicletas.


- Em ciclovias ao lado de ruas, cuidado com as entradas e saídas de veículos. Lembre-se que, infelizmente, a maioria dos motoristas ao entrar ou sair de suas garagens está mais preocupado com o sentido do trânsito da rua, esquecendo-se que o sentido na ciclovia é de mão-dupla.


- Saiba que é legalmente proibido pedalar nas canaletas do bi-articulado como mostram as placas de sinalização ao longo das mesmas. Esta proibição exime os motoristas em caso de acidentes com ciclistas. O problema desta lei é que ela não leva em consideração que é mais fácil para o ciclista prestar atenção em alguns ônibus do que prestar atenção em milhares de carros, motos, carroças, pedestres, carrinheiros...As chances de acidente são menores nas canaletas caso observado as seguintes regras de boa convivência: 1- Lembre-se que não apenas bi-articulados circulam pelas canaletas. Apesar de pouco comum, carros de polícia, ambulância e bombeiro podem circular pelas canaletas. Esteja preparado para “enxergar” toda esta variedade de veículos 2- Nunca passe por dentro de terminais ou entre dois ônibus parados. 3- Ande sempre na contramão, mantendo sempre atenção à frente. Caso identifique um veículo se aproximando, olhe para trás rapidamente (a fim de identificar algum veículo vindo na faixa da direita) e caso a faixa esteja livre mude de faixa até que o veículo tenha passado, voltando para a esquerda em seguida, assim que esta esteja livre. Os veículos que circulam nas canaletas normalmente o fazem em alta velocidade e caso se esteja pedalando na faixa da direita, por mais atento que se possa estar, um veículo que vem por trás pode ser notado apenas quando for tarde demais! 4- Caso observe um veículo vindo pela frente e outro por trás na faixa da direita, não hesite em sair da canaleta e ir para cima da ilha entre a mesma e a rua.

Obs: NÃO INCENTIVAMOS A CIRCULAÇÃO PELAS CANALETAS DO BI-ARTICULADO, APENAS ACONSELHAMOS OS CICLISTAS QUE O FOREM FAZER, A PEDALAR DE FORMA A MINIMIZAR RISCOS.

Um comentário:

leonardo disse...

O que voce escreveu vale aqui pra vitória também, talvez, para grande parte das cidades brasileiras.

Conheci o mundo das fixas quando comprei minha Monark 10, um ano atrás, entrei no bikemagazine em busca de materias sobre reforma de bicicleta e encontrei uma em que o cara tinha tirado tudo da caloi 10 e deixado ela pra velódromo, achei meio absurdo aquela idéia.

Depois de alguns meses, no youtube descobri o video 'bike messengers are on crack' onde mostra um alleycat dos mensageiros em nova iorque, a partir dai, fiquei curioso e fui procurando mais sobre o estilo de vida desse pessoal e eis que novamente, a tal da fixa volta a aparecer em cena.

Dessa vez achei o conceito de bicicleta fixa algo um tanto quanto louco porém, divertido. Pensei em fazer uma fixie, caso eu comprasse uma nova speed.

Assim que eu comprei uma caloi 10 de um colega meu, pesquisei superficialmente como transforma-la, e, cheguei a uma conclusao equivocada de que seria preciso comprar um cubo traseiro gringo, o que me custaria uma boa grana, entao, com o intuito de deixar minha magrela parecida com uma track-bike, coloquei um freio contra pedal. esteticamente estava igual a uma fixa, mas só esteticamente.

Após um novo tempo, resolvi pesquisar a fundo sobre a conversao para fixa e descobri que havia um jeitinho extremamente em conta, só sendo nescessario um pinhao contra pedal.

No começo, ao andar numa fixa é bem estranho, principalmente ao fazer curvas e passar por buracos, depois se acostuma. Mesmo assim, não achei grandes mudanças como tinham relatado estanuamente em sites, porem outro dia fui andar na ceci da minha irma (roda livre) e percebi o quanto diferente é andar nela, parece que nao se tem controle total sobre a bike, ocorre uma certa vulnerábilidade, desde entao, nao troco minha fixa por nada ;)

Texto longo nao? mas foi assim que descobri o mundo das fixies, meu proximo projeto é colocar rodas 700 e pneus 23 para assim, pelo o que li, poder freiar no estilo skid, sem o uso do freio dianteiro (atualmente uso pneu 1 1/8)

até breve.